domingo, 28 de junho de 2009

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMITIDAS

É sempre oportuno o alerta de prevenção sobre as doenças que muitas vezes negligentemente, por descuido ou por desconhecimento a pessoa se contamina em um ato sexual.

O médico e erudito, Girolamo Fracastoro, nascido na cidade de Verona, região do Vêneto – Itália, tendo estudado na Universidade de Pádua, 1501, dedicou um poema à Sífilis: Sífilis - uma Teoria de contágio.

Naquela época muitas doenças desafiavam a comunidade médica e uma delas com sintomas terríveis, chamada então "doença espanhola", por outros "prurido napolitano" e "varíola francesa", era muito agressiva e desconhecida, só no século XVII é que teve o nome lues venera doença venérea. Sífilis foi o nome que Francastoro deu a tal doença que segundo o autor um "pastor de nome Syphilus por reverenciar um rei mundano incitou a ira do deus sol, como punição ele sofreu de chagas pútridas em todo o corpo, noites insones e seus ossos doíam impiedosamente". Publicada em 1530, "Syphilis sive morbus Gallicus, foi dedicada ao cardeal Pietro Bembo, conhecido erudito, secretário papal e um dos vários amantes de Lucrecia Borgia". Francastoro fala ainda da cura de Ilceus, um agricultor que se curou em banhos de mercúrio, terapia que foi muito usada na época que provocou muitas mortes por intoxicação mercurial.

A importância de se conhecer as doenças e infecções sexualmente transmitidas está no fato de que além do alto risco de disseminação, elas podem comprometer gravemente a saúde da pessoa acometida. Além de favorecerem a transmissão do HIV podem provocar câncer, lesões anus-retais, doença inflamatória pélvica na mulher com conseqüente infertilidade, além de resultar em importantes problemas emocionais que podem levar às neuroses.

Devido ao aumento crescente nos últimos anos, as DSTs (doenças sexualmente transmitidas) são consideradas um problema de saúde pública. Uma série de fatores são os causadores do aumento dessas doenças, entre eles estão: promiscuidade sexual, falta de educação sexual adequada especialmente para a faixa mais jovem, baixas condições sócio-econômicas e culturais, automedicação, resistência aos antibióticos, prescrição de medicação por curiosos inabilitados, uso inadequado de métodos contraceptivos, péssimas atuações dos serviços de saúde bem como despreparo dos profissionais, falta de orientação adequada por parte do serviço de saúde para o controle das doenças.

A classificação que se segue surgiu em 1982, é uma das mais utilizadas:

(1) Doenças essencialmente transmitidas por contágio sexual: Sífilis, Gonorréia, Cancro mole, Linfogranuloma venéreo.

(2) Doenças frequentemente transmitidas por contágio sexual: Donovanose, Uretrite não-gonocócica, Herpes simples genital, Condiloma accuminado, Candidíase genital, Fitiríase, Hepatite B, AIDS.

(3) Doenças eventualmente transmitidas por contágio sexual: Molusco contagioso, Pediculose, Escabiose, Shigelose, Amebíase.

Se apresentar úlceras ou verrugas genitais, corrimentos uretrais ou corrimentos vaginais, desconforto ou dor pélvica (dor no baixo ventre) deve-se procurar imediatamente o profissional médico especialista ou não-especialista para a orientação correta.

PERIGO NAS RUAS: TRAUMATISMO DA LARINGE

Hoje em Teresina, como em muitas cidades brasileiras, cresce de forma triste a tragédia das ruas. A violência urbana especialmente a violência no trânsito deixa cada vez mais vítimas e infelicita a vida de muita gente. Além dos acidentes automobilísticos que de forma dramática e terrível ceifa as vidas de muitas pessoas acrescente-se o crescimento dos acidentes de motos. Como cirurgiã de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal do Piauí, trabalhando no Hospital Getúlio Vargas é com pesar que observamos o crescimento da fila de espera para a cirurgia de correção da laringe; essa cirurgia é o tratamento proposto para os pacientes que sofreram traumatismo de trânsito, especialmente os motoqueiros e tem estenose da traquéia ou da laringe. O acidente no trânsito leva o paciente, muitas vezes com múltiplos traumas, à intubação prolongada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um longo período com um tubo na garganta (tubo endotraqueal) compromete a vascularização delicada da mucosa da laringe e traquéia provocando às vezes um dano irreparável nesta, tendo como conseqüência a estenose (estreitamento) da luz do órgão. Os traumas da laringe provocados por intubações orotraqueais prolongadas em pacientes nas Unidades de Terapias Intensivas (UTI), são ditos iatrogênicos, sendo muitas vezes irreversível pode levar o paciente que a usar uma cânula endotraqueal pelo resto de sua vida, se não for possível correção.

Acrescente-se a estes acidentes de trânsito os casos em que as pessoas estendem cordas, fios de nylon nas ruas e os motoqueiros ao passar são pegos de surpresa e acabam sendo vítimas de um acidente com traumatismos graves no pescoço.

A Laringe ou o Laringe, os dois são corretos, também conhecida popularmente como pomo de Adão nos homens, é um órgão do pescoço que tem importante função na fala, aí estão às cordas vocais, e na respiração, suas lesões são gravíssimas colocando em risco a vida do paciente. No caso de lesão a prioridade imediata é manter a via respiratória pérvia, ou seja, o paciente precisa respirar, pois este é o tubo no pescoço, que leva o ar para os pulmões, portanto vital para manter a vida da pessoa acidentada.

Esses traumas da laringe pode ser interno ou externo, o último pode ser subdividido ainda em penetrante e não penetrante. O penetrante pode ser resultante de ferimento por arma de fogo ou arma branca, o não penetrante ocorre quando o órgão é comprimido entre o objeto (no caso de acidente automobilístico – a direção, por exemplo) e a coluna cervical. Os sintomas característicos desses traumas são: rouquidão, disfagia, odinofagia e dispnéia.

Nossa alerta como profissionais de Saúde é exatamente aos que utilizam o trânsito, motoristas e especialmente os motoqueiros, muitos desprezam o uso de capacetes, em sua grande maioria pessoas jovens; para atentar às regras de trânsito, o cuidado com o outro, se beber não dirija. O cuidado consigo mesmo e com os outros são princípios que poupariam muitas vidas, evitando tragédias e perdas. É imprescindível aprendermos educação no trânsito. Respeite vida, ela é preciosa para todos.

Anticoncepcionais – Mitos e Desconhecimentos.

A história da anticoncepção na humanidade vem de muito tempo. No sentido de controlar a fecundidade, limitar o número de descendentes seja por causas individuais ou sociais, a história registra desde os mais esdrúxulos métodos até a moderna pílula anticoncepcional. Com o evoluir dos tempos "nada mudou tanto e tão rapidamente quanto as mulheres, elas passaram a fazer exigências pessoais extremamente marcantes"... (Gynaecia/vol3, Set/1997), daí a crescente busca da ciência para atender essas necessidades e exigências.

O empirismo dos antigos como a mágica de borrifar sangue menstrual em amuletos que a mulher carregava consigo; a ingestão de diversas porções de extratos de plantas, tampões empregado de azeite, mel ou menta, cuspir na boca de sapo por três vezes, comer abelha, até ao coito interrompido que é citado na Bíblia (Gênese 38-9) e tantos outros métodos de antinatalidade se aprimoraram com a pílula provocando um impacto social tão grande que mudaram os hábitos sexuais da população a ponto de se definir- o antes e o após a pílula.

Muitos mitos e desconhecimento do uso dos métodos de controle da natalidade especialmente da anticoncepção oral até hoje perduram.

Alguns deles merecem ser comentados:

(1) Conhecer a pílula fez os jovens entrarem na vida sexual mais cedo?

- Cartes, descrevendo o impacto da pílula na sexualidade juvenil: Os índices mostram a gravidez nas mulheres menores de 19 anos são freqüentes, mas não são os que usam anticoncepcionais. De fato os estudos mostram que as adolescentes que engravidam, desconhecem os métodos, não conversam com os pais ou são mal orientados.

(2) A pílula do dia seguinte é método anticoncepcional?

- Não, é método de emergência.

(3) Adolescente não pode usar? Atrasa crescimento? Engorda, aumenta as mamas?

Nas adolescentes, os anticoncepcionais hormonais combinados não apresentam efeitos adversos sobre o eixo neuroendócrino reprodutor. Devem fazer parte de programa de orientação aos jovens que inclui: educação sexual, esclarecimento sobre todos os métodos contraceptivos, riscos de abortamentos provocados, doenças sexualmente transmissíveis, avaliação clínica e indicação da menor dose eficaz. Os anticoncepcionais hormonais são anabolizantes, portanto melhorando a assimilação dos alimentos estimulam o ganho de peso.

A pílula se compõe de quê?

(4) - Os anticoncepcionais hormonais são compostos de estrogênios e progestogênios, juntos ou isolados. Inibem a secreção de gonadotrofinas (FSH e LH- hormônios da hipófise que estimulam os ovários) consequentemente impedem a ovulação.

(5) Na perimenopausa, ainda precisa a mulher se prevenir de gravidez?

- Sim, pois os ciclos apesar de serem irregulares podem ser ovulatórios e ocorrer gravidez.

(6) Quem nesta fase não pode usar anticoncepcional?

- devem ser considerados os fatores de risco: hipertensão arterial, cardiopatia, diabetes, tabagismo, história de tromboembolismo.

(7) É necessário o preventivo na mulher jovem que usa anticoncepcional.

HPV – O que você precisa saber - Atualização

As verrugas genitais são conhecidas desde a antiguidade, quando foram relatados as lesões provocadas pelo papilomavírus (HPV) humano na forma de verrugas. Hipócrates (460 – 377 a.C.) utilizou o termo condiloma para identificar tais verrugas genitais. Apresenta alta prevalência vez que foi encontrado que 27% das mulheres assintomáticas possuem o DNA do HPV na vagina, presença essa indesejável, detectada pelos exames de captura hibrida II e reação de cadeia de polimerase. O HPV está relacionado ao Câncer do Colo do Útero, O conhecimento dessa doença é importante na prevenção e detecção precoce da mesma.Saiba mais:

  1. O câncer do colo do útero é a segunda neoplasia mais freqüente do sexo feminino.
  2. Após 12 meses da primeira relação, 25% das mulheres já apresentam HPV cervical (colo do útero)
  3. 99,7% dos cânceres cervicais apresentam DNA do HPV de alto risco.
  4. Papilomavírus humano são mais de 120 subtipos diferentes e aproximadamente 40 deles infectam o trato genital.
  5. Os subtipos mais agressivos são os 16 e 18, relacionados ao câncer do colo do útero.
  6. Os subtipos 6 e 11 estão associados às lesões benignas como a verruga simples e o condiloma, acometem não só os genitais mas também a boca e laringe.
  7. Período de incubação do HPV é de três a oito meses. Tempo de aparecimento da lesão - indeterminado.
  8. Nem toda lesão por HPV se transformará em câncer.
  9. A biologia do vírus é distinta, cada mulher tem uma competência imunológica variada.
  10. Algumas mulheres podem eliminar o vírus; quanto mais jovem a mulher menor é a competência imunológica para lidar com o vírus, daí a indicação da vacina.
  11. Após a infecção por HPV de alto risco, a probabilidade de desenvolver câncer é de 50 a 100 vezes maior em mulheres que nunca tiveram contato com o vírus. Igualmente o risco de desenvolver a lesão de alto grau é 300 vezes maior.
  12. Os co-fatores para desenvolver a doença são: tabagismo, multiplicidade de parceiros, usa de contraceptivos orais, deficiência nutricional, presença de doença venérea e idade precoce da primeira relação sexual.
  13. Apesar do uso do preservativo não garantir proteção contra o HPV ele deve ser sempre usado, pois previne as doenças sexualmente transmissíveis, que segundo o item acima é um fator que soma ao vírus de alto risco e os dois fatores juntos são decisivos para o aparecimento do câncer cervical. Manutenção da higiene íntima, visita periódica ao seu ginecologista ou consulta a qualquer sintoma anormal garantem a saúde genital.
  14. As vacinas contra o HPV são profiláticas e à semelhança de outras vacinas que são administradas na infância, são mais eficazes quando administradas antes da exposição ao vírus, esta fase corresponde

    A pré-adolescência e adolescentes jovens. Neste caso em especial refere-se às meninas, a vacinação dos homens permanece ainda incerta, apesar dos homens apresentarem altas taxas de infecção pelo HPV; APRESENTANDO UM RISCO ELEVADO DE DESENVOLVEREM VERRUGAS GENITAIS E CÂNCER INVASIVO DO PÊNIS E ANUS.

  15. Mulheres que são positivas para o HPV podem tomar a vacina. Estudos demonstram proteção contra os tipos que a mulher não foi contaminada( no caso, vacina quadrivalente recombinante que imuniza contra HPV 6,11,16 e 18)
  16. A vacina ainda não foi liberada para uso em gestantes.


     

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O STRESS SOCIAL, O MEDO E AS DOENÇAS


O medo campeia à solta nos dias atuais. É o medo de sair de casa, medo da criminalidade impune tanto nas ruas como o assalto aos domicílios. Medo de adoecer, especialmente do câncer; certo dia comentando com uma paciente sobre o ganho em longevidade que a mulher conseguiu nas últimas décadas ela assim se expressou... "É, se nós conseguirmos nos livrar de não ter câncer, chegaremos lá", o medo está em tudo e conseqüentemente gera um stress social dramático nas vidas das pessoas.

Esse stress sociopsicológico pode afetar a suscetibilidade às doenças, quer sejam agudas ou crônicas, na medida em que o passar do tempo esse stress crônico mina as defesas orgânicas.

Desde a Grécia antiga se acreditava na influência da mente sobre a saúde, com o advento da era antimicrobiana esse conceito foi relegado ao campo do empirismo, as conjecturas não científicas.

A interação mente e corpo vem sendo investigado com muito afinco desde década de 80 e os pesquisadores vêm demonstrando que sinais químicos que partem das células imunológicas conversam com o cérebro que por sua vez responde a esse sistema, é o maravilhoso circuito mente - cérebro- corpo que a neurociência começa a desvendar.

Já em 1993, Bill Moyers conversando com cientistas em seu livro a Cura
e a Mente abordou esse fascinante tema. No capítulo a Redução do Estresse o Dr. Zawacki diretor de Clinica Médica na Divisão de Doenças Digestivas e Nutrição do Centro Médico da Universidade de Massachusetts comenta: "O corpo é um instrumento magnífico. Se abrirmos a mente para pesquisar com as emoções influenciam a saúde, talvez algum dia possamos abri-las para as dimensões espirituais da saúde."

No final do século XX e início de século, XXI estamos presenciando essa abertura. Trabalhos como do Herbert Benson, Universidade de Harvard, acerca do bem-estar evocado e tantos outros grandes e respeitáveis centros de saúde que têm desenvolvido pesquisas sobre essa importante interação, são animadores. Na edição especial da Scientific American - Segredos da Mente os Doutores Sternberg e Gold, pesquisadores do Sistema imunológico e Stress, do National Institute of Mental Health comentam essas pesquisas, confira. Nesta comunicação entre o sistema imunológico e o cérebro os componentes fundamentais são: o hipotálamo e o locus
ceruleus, a hipófise, sistema nervoso simpático e as supra-renais. A estimulação do locus ceruleus leva a reação de alerta comportamental, medo e vigilância permanente. Imagine o organismo constantemente em alerta, consumindo suas reservas de endorfinas! Precisamos evocar o bem-estar, a paz, a serenidade, a felicidade, o amor em nossas vidas para estimularmos o dom da vida em nós.

Hipotiroidismo e Menopausa


O climatério constitui uma importante fase da vida da mulher em que sinaliza o final do seu período reprodutivo (capacidade de gerar filhos) e o inicio da senilidade. Estudar e entender esse momento é de suma importância não só para a comunidade médica bem como para a sociedade. Cada vez mais as mulheres chegam nessa fase de vida em pleno apogeu de sua capacidade produtiva, com todos os recursos para manter-se bela, saudável e ativa. Geralmente ocorre a partir dos 45anos, embora esses limites etários sejam bastante variáveis, a partir desta idade os ovários começam a apresentar sinais de falência de produção de estrogênios, especialmente o estradiol, o que gerará toda uma cadeia de sintomas que vão desde alterações discretas no ciclo menstrual até o vigor dos famosos fogachos e outros sintomas que incomodam e alteram a rotina de vida da mulher.

Dentre as alterações endócrinas desta fase chama a atenção o Hipotiroidismo, que é a deficiência da produção de hormônios pela glândula tireóide. Sendo o hormônio tireoideano de fundamental importância para todas as células do corpo se conclui então os sérios acometimentos pelos qual o organismo feminino possa passar.

As principais manifestações clínicas do hipotiroidismo são: falta de disposição, intolerância ao frio, pele fria, seca e descamativa, desânimo, sonolência, edema (inchaço) especialmente nas pálpebras, queda de pelos e cabelos, anemia, ganho de peso, alterações menstruais (nas mulheres que menstruam). À medida que o quadro acentua aparecem alterações cardiovasculares, e nos casos mais graves pode acontecer derrame pericárdico e/ou pleural (alterações no coração e pulmões).

Apesar das doenças da tireóide serem freqüentes na população os exames de rastreamento com dosagens dos hormônios não são preconizados em todas as pessoas, porém nas mulheres acima de 45 anos fazem parte da avaliação da fase que antecede a menopausa.

Estar atenta para as modificações que ocorram em seu organismo garante qualidade de vida e saúde.

(Fontes: Halbe et all. Tratado de Ginecologia. Matsumura& Furlaneto-Hipotiroidismo)