O Estranho Hóspede
Estranho Desatino,
Crescendo desenfreado,
Desafiando o olho clínico,
Traiçoeiro, oculto, assombrado,
Reina sufocando,
Com suas garras de rapina.
Estranho hóspede aterrador,
Que brota de um acaso inocente,
Burlando a vigilância indolente,
Como quem rouba beijos inocentes,
Rompe vales e alagados,
De folículos sempre crescentes.
Extrapola a forma delineada
Transformando em quimérica flor
Estranha dedaleira maligna,
Arte de um deus devorador,
Dissipa e destroça a nau
Do fiel condutor
Doutor preste atenção,
Nessa caixa de segredos,
Abdomen globoso na sua mão,
Esconde um ladrão em degredo,
Fruto amargo e penoso,
Ovário imortalizado no medo
Câncer perdulário e destruidor,
Suga o rubor e o frescor
Da mocidade em flor.
Perdura atemporal,
Enquanto dure a seiva e o vigor
A criatura estremece
Suspeita como toda amante
Nem desconfia da desdita
Trama urdida às escondidas
Do ladrão incendiário
A lhe fenecer as forças mais aguerridas.
Deus permita o momento,
Do diagnóstico certeiro,
Resgatando nobre vida,
Qual a fecha do arqueiro,
Que busca o sonhado alvo,
E apaga o arruaceiro.
Este poema dediquei ao câncer de ovário, após operar uma paciente; impressionou-me demais a visão daquele tumor que crescia lenta mas agressivamente em uma jovem paciente de 25 anos.
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)